Passam no dia 11 de Setembro, cinco anos sobre o atentado terrorista perpetrado contra as Torres Gêmeas, em Nova Iorque.
Fui um dos que, atônitos, presenciaram a transmissão em direto daquilo que as televisões começaram por noticiar como um acidente de aviação, depois corrigido para atentado terrorista. Tudo aquilo que aconteceu de seguida, acredito que não exista ninguém que desconheça: tal o impacto mediatico e as consequências políticas, econômicas e sociais que advieram do atentado.
Pela primeira vez muitos de nós (considero-me incluído) ouvimos falar de um tal Osama Bin Laden e da sua organização Al-Qaeda. Com o tempo começou a vir ao de cima a verdadeira identidade do personagem e hoje sabe-se que o saudita Bin Laden, foi um dos combatente que foi armado pela CIA para, durante a guerra fria, combater as tropas da antiga URSS que invadiram o Afeganistão. Tornou-se, posteriormente, chefe da Al-Qaeda, organização islâmica que tem como principal objetivo a eliminação de toda e qualquer influência de países estrangeiros nas nações islâmicas. Conclui-se, pois, que as autoridades americanas lhe conheciam o rasto...
O certo é que todos nos espantamos como os EUA, a primeira potência mundial (única?) e com o sistema de informações mais completo que se conhece, não tenham conseguido prevenir aquele ato de autentica barbárie que a todos horrorizou (e horroriza de cada vez que revemos as suas imagens).
Desde logo o povo americano ganhou um enorme capital de simpatia, entretanto malbaratado pelo seu presidente (Bush) quando, reagindo à ameaça sempre presente do terrorismo, conduziu o país para intervenções militares no exterior (Afeganistão, Iraque), intervenções que perduram com as consequências que sabemos. Os custos de tais intervenções (em termos humanos, econômicos e sociais), são os que conhecemos e, nem por isso, estamos hoje num mundo mais seguro do que então.
O 11 de Setembro e tudo o que se lhe seguiu, na opinião de alguns confirma aquilo a que Samuel Huntington chamou de “choque de civilizações” (título da sua obra datada de 1996), segundo o qual a conflitualidade existente acaba por ser explicada através dos antagonismos civilizacional (usos e costumes) e religioso. Esta concepção, redutora, acaba por esquecer os interesses políticos e econômicos, mais ou menos legítimos dos atores em presença, nomeadamente os que se ligam à geografia dos recursos naturais que, reconheçamos, não são de todo desprezáveis no contexto e nos cenários em que se desenvolveram os acontecimentos do 11 de Setembro e posteriores.
Acontece que, como prevenção, cada vez mais os governos dos países ocidentais difundem na opinião pública a ideia de que não será possível aos cidadãos continuarem a usufruir das liberdades democráticas (direito à privacidade e movimentação, liberdade de expressão, etc), tendo em conta a ameaça terrorista que sempre se perspectiva no horizonte.
Dito de outra forma, cada vez mais a liberdade e a segurança nos são apresentadas pelas autoridades como bens sucedâneos, em que para termos uma, teremos de prescindir da outra. E logo a restrição de algumas das liberdades individuais, características das sociedades ocidentais, acabam por ser postas em causa em nome de uma sociedade securitária.
Ora, o que os cidadãos esclarecidos nas sociedades democráticas devem exigir, não é que em nome da segurança se restrinjam as suas liberdades. A segurança e a liberdade têm de ser vistas não como bens substitutos, mas, isso sim, como bens complementares: o que eu exijo enquanto cidadão, é mais liberdade com mais segurança. Pode não ser fácil, mas, por alguma razão, vivemos numa sociedade democrática e pagamos os nossos impostos. Ao contrário, repare-se como se esboçam restrições à liberdade, ao mesmo tempo, que recrudesce a insegurança...
Entretanto, parece evidente que as relações internacionais (econômicas e outras) têm de evoluir para relações que os cidadãos do mundo percepcionem como mais justas. Isto porque, já lá dizia o pensador romano Cícero (188 A. C.) “onde mora a justiça, obedecer é ser livre”.

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